Rótulos de alimentos deverão ter alerta para alérgicos

Com a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de obrigar a indústria alimentícia a informar nas embalagens a presença dos principais alimentos que levam a alergias alimentares, a expectativa é que haja menos vítimas de produtos por desinformação. Isso é o que esperam especialistas e pacientes que sofrem com alergia a algum tipo de alimento. A indústria teve um ano para se adequar às normas.

Segundo o manual de rotulagem de alimentos alergênicos da Anvisa, mais de 170 alimentos já foram descritos como causadores de alergias alimentares. Especialistas comemoram a decisão, pois lembram que a nova resolução é extremamente importante, uma vez que a atual não é clara, e os pacientes acometidos por alergias e intolerâncias sempre têm grande dificuldade em fazer as escolhas corretas na hora da compra. O mais grave é que para os alérgicos, essa informação omitida pode levar ao óbito.

¹ALERGIA ALIMENTAR

Alergia alimentar (AA) é uma reação adversa aos alimentos em que há envolvimento do sistema imunológico em sua patogênese. Os mecanismos envolvidos podem ser dependentes da imunoglobulina E (lgE) ou não mediados pela lgE. O primeiro tipo engloba todas as reações imediatas, definidas como aquelas que aparecem até 2 horas após o contato com o alimento desencadeante, enquanto no tipo não lgE mediado as manifestações podem ocorrer até vários dias após a ingestão do alimento.

Atualmente se constata um aumento da prevalência desta doença, em especial em países industrializados, embora também seja observada em países em desenvolvimento. As causas para esta constatação ainda estão em discussão, mas certamente fatores epigenéticos participam desta mudança na prevalência da AA. A prevalência estimada para os dias atuais está acima de 2% e abaixo de 10% na população americana, e nos primeiros 5 anos de vida da criança esta prevalência atinge 6% a 8%.

O desenvolvimento de alergia alimentar depende de vários fatores, entre eles: herança genética do hospedeiro, alergenicidade do alimento ingerido e qualidade da barreira intestinal do indivíduo. Neste último item vale ressaltar o papel da microbiota intestinal como um fator protetor para o desenvolvimento da AA.

Vários alimentos podem desencadear AA, sendo os mais comumente citados, nos Estados Unidos, os seguintes: leite, clara de ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixe e frutos do mar. Estes alimentos têm em comum algumas características que lhes conferem a possibilidade de  causar AA, entre elas as glicoproteínas, que apresentam peso molecular entre 10 e 70 kDa e têm epítopos alergênicos resistentes à cocção e ao processo digestivo. Na criança predominam, como causa de AA, os seguintes alimentos: leite de vaca, ovo, soja, trigo e amendoim, enquanto nos adultos predominam castanhas, peixes e frutos do mar. Mais recentemente, a mudança de hábitos dietéticos da população brasileira com a introdução de novos alimentos tem adicionado novos alimentos à lista anterior, sendo observada AA causada por kiwi, por castanhas em crianças e por vários grãos recém-consumidos pela população.


¹Trecho retirado do livro Diagnóstico e Tratamento das Doenças Imunológicas 2ED

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Doença crônica, a dermatite atópica também atinge cães e gatos

Médicos veterinários que costumam tratar apenas de cães e gatos relatam que a grande maioria dos problemas que levam os bichinhos ao consultório tem a ver com a pele dos animais. Há várias condições que causam problemas de pele em cães e gatos, mas o mais comum é, de longe, a alergia. Algumas dermatites são mais comuns em determinadas épocas do ano, o que não excluem que elas apareçam em outros períodos. Por isso, é sempre bom estar de olho e ocasionalmente fazer uma inspeção na pele, nas patas, nos olhos e nas orelhas do seu bichinho, para se certificar de que está tudo bem.

Entre as dermatites, essa é a mais difícil de se tratar, pois é quase impossível isolar o animal do ambiente causador.

¹DERMATITE ATÓPICA CANINA

A dermatite atópica canina é uma doença dermatológica muito comum, particularmente crônica associada a prurido e lesões inflamatórias pouco específicas cujas localizações devem ser levadas em conta.

Admite-se a concepção clássica de que existe uma predisposição genética complexa ao desenvolvimento de uma sensibilização a alérgenos do ambiente, aos quais os outros indivíduos são indiferentes. Os alérgenos responsáveis (ácaros da poeira, escamas e, mais raramente, o pólen) penetram no organismo por via inalatória, transcutânea ou digestiva; o resultado é a produção massiva de imunoglobulinas diversas (IgE, IgG específicos) que se fixam nos mastócitos da pele. Um contato posterior com os mesmos alérgenos provoca a degranulação massiva destes mastócitos e a liberação de diversas substâncias pró-inflamatórias.

Todavia, a noção de dermatite atópica evoluiu consideravelmente no decorrer dos últimos anos e atualmente leva em consideração vários outros fatores, entre os quais a identificação e o controle que aprimoram consideravelmente a gestão dessa entidade, embora ela se mantenha um desafio. Convém mais particularmente citar os seguintes fatores:

– morfológicos (alterações da composição do filme hidrolipídico de superfície);

– infecciosos (principalmente superinfecções por bactérias e leveduras);

– parasitários (provável exacerbação das reações imunológicas contra ”superalérgenos” salivares da pulga);

– alimentares, com importância variável das intolerâncias alimentares e dos alérgenos alimentares (trofalérgenos);

– psíquicos, como comprova a grande variabilidade racial e individual observada na expressão do prurido e nos fenômenos de ritualização.

DERMATITE ATÓPICA FELINA

Esta entidade requer maiores esclarecimentos, em particular no que diz respeito à predisposição genética, uma vez que geralmente é difícil encontrar uma predisposição familiar, ao contrário da predisposição simplesmente racial, em evidência. Por muito tempo, a dermatite atópica felina foi qualificada como todas as dermatites pruriginosas  associadas a testes alergológicos positivos para aeroalérgenos. A tendência atual é considerar que uma parte considerável das intolerância/alergias alimentares deriva da atopia.

Os aeroalérgenos normalmente responsáveis são os ácaros de poeira doméstica e, particularmente, Dermatophagoides sp.

Observa-se que existe uma reação cruzada entre os ácaros de poeira e os ácaros, em particular Octodectes cynotis.

 

¹Trecho retirado integralmente do livro Manual Elsevier de Medicina Veterinária, Elsevier

Imagem: Reprodução

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