Ataque cardíaco: o que é e qual a técnica médica usada para reverter o quadro?

¹Um ataque cardíaco ocorre quando a perfusão ao miocárdio é insuficiente para manter as necessidades metabólicas do tecido, levando a danos irreversíveis ao mesmo. A causa mais comum é a oclusão total de uma das principais artérias coronárias.

Doença arterial coronariana

A oclusão de uma grande artéria coronária, geralmente devido a aterosclerose, leva à oxigenação inadequada de uma área do miocárdio e à morte celular. A gravidade do problema está relacionada ao tamanho e localização da artéria envolvida, se a oclusão é ou não completa, e dos vasos colaterais estarem ou não proporcionando a perfusão ao território a partir de outros vasos. Dependendo da gravidade, pacientes podem apresentar dor (angina) ou infarto do miocárdio (IM).

Intervenção coronária percutânea

Essa é uma técnica na qual um longo tubo fino (um cateter) é introduzido na artéria femoral na coxa, passa pelas artérias ilíacas externa e comum, entra na aorta abdominal. Ela continua a ser movida para cima pela aorta torácica até as origens das artérias coronárias. As artérias coronárias também podem ser acessadas pelas artérias radiais ou braquiais. Um fio fino é, em seguida, passado por dentro da artéria coronária e é usado para atravessar a estenose. Um fino balão é, então, passado sobre o fio e pode ser inflado no nível da obstrução, dilatando-a. Esse procedimento denomina-se angioplastia. Mais comumente, isso é ampliado pela colocação de uma fina malha (um stent) dentro da obstrução para mantê-la aberta. Outras intervenções percutâneas são a extração de um trombo coronário por sucção e a ablação de uma placa.

Revascularização da artéria coronária

Se a coronariopatia for muito extensa para ser tratada por intervenção percutânea, pode ser necessária uma cirurgia de revascularização do miocárdio. A veia safena magna do membro inferior é retirada e utilizada como um enxerto. Ela é dividida em vários pedaços, cada um dos quais é usado como ponte de desvio das áreas ocluídas das artérias coronárias. As artérias torácicas interna e radial também podem ser utilizadas.


¹Trecho extraído integralmente do livro Gray’s Anatomia Clínica para Estudantes, 3ED

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29/09 – Dia Mundial do Coração

 

Quais são as principais doenças cardíacas que afetam os brasileiros?

Hoje, 29 de setembro, é o Dia Mundial do Coração. Não é atoa que está data foi criada, já que as doenças cardíacas têm causado 31% das mortes e são consideradas um dos maiores problemas de saúde do Brasil. Este ano, a revista Isto É publicou uma matéria com base em dados do IBGE que indicam que no estado de Minas Gerais, 6,3% dos adultos têm diagnóstico de alguma doença do coração. O número é o mais alto do país, cuja média é de 4,2%.  Viviane Hotta*, autora do livro TECNICAS AVANÇADAS EM ECOCARDIOGRAFIA, publicado pela editora Elsevier, comenta o assunto e explica quais são as principais doenças cardíacas que vitimam os brasileiros.

A doença cardiovascular é umas das principais causas de mortalidade mundial e também no Brasil tanto em homens como em mulheres. A ocorrência destas doenças, que incluem infarto do miocárdico, acidente vascular encefálico (conhecido popularmente como “derrame”), insuficiência cardíaca e insuficiência vascular periférica está associada à presença de fatores de risco.

Dentre os fatores de risco mais importantes para as doenças cardíacas, destacam-se a hipertensão arterial (“pressão alta”), diabetes mellitus (elevação da glicemia dosada em exames de sangue), dislipidemias (alterações na dosagem do colesterol total e frações), obesidade, tabagismo além de antecedentes familiares de risco. Quanto mais fatores de risco, maior o risco de desenvolvimento de alguma doença cardiovascular.

Nas diferentes regiões do Brasil, observa-se uma distribuição heterogênea dos fatores de risco o que explica a maior ocorrência de doenças cardíacas em determinadas áreas. Além disso, a Doença de Chagas também é considerada como doença cardíaca, o que resulta no aumento das taxas desta doença em regiões endêmicas (como o estado de Minas Gerais, regiões rurais e Nordeste do País). Outros fatores relacionados às diferenças observadas relacionam-se aos hábitos alimentares regionais, incidência de obesidade, tabagismo e prática de atividades físicas. Por exemplo, observa-se maior taxa de tabagismo no sul do país, maior taxa de obesidade no Sudeste e Sul, enquanto a hipertensão arterial é maior no Norte e Nordeste do país.

Além disso, o nível de escolaridade associado ao desenvolvimento do sistema de saúde de cada região reflete o acesso da população ao atendimento médico, e também a aderência ao tratamento médico, o que também terá impacto nas diferentes distribuições regionais das doenças cardíacas.

A despeito das diferenças regionais na distribuição das diferentes regiões do país, a prevenção e tratamento dos fatores de risco relacionados às doenças cardíacas são fundamentais. Medidas simples que incluem modificações no estilo de vida como uma dieta saudável e balanceada, cessação do tabagismo e etilismo, prática de atividades físicas regulares e redução do peso (em pacientes acima do peso) desde que supervisionadas e com orientações médicas são essenciais e consistem na melhor forma de prevenção e redução das taxas de doenças cardíacas nacionalmente.

Finalmente, deve-se levar em consideração que os dados obtidos pelo IBGE foram baseados em informações referidas pelos participantes das pesquisas e não em exames médicos, aferição da pressão arterial, dosagem das medidas de colesterol e glicemia, o que pode não refletir de maneira real a verdadeira incidência das doenças avaliadas.

*Hotta é também Doutora em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), médica assistente da Unidade Clínica de Miocardiopatias do InCor – HCFMUSP e Médica assessora em Ecocardiografia no Fleury Medicina e Saúde.

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Altura é documento para o coração!

flickr: sharynmorrowFaltando apenas alguns dias para o 5º Congresso Brasileiro de Imagem Cardiovascular da SBC (23º Congresso Brasileiro de Ecocardiografia), a Universidade de Leicester, situada na Grã-Bretanha, publicou um estudo interessante sobre doença cardíaca, tema principal do evento.

Será que as pessoas baixinhas têm mais riscos de sofrer intempéries cardiovasculares? Parece que sim. Os números dão conta de que a cada 6,4 cm a mais de altura, o risco cai 13,5%. A pesquisa investigou 200 mil indivíduos, com base em partes do DNA humano que são responsáveis pela altura e saúde do coração.

Viviane Hotta, autora do livro ‘Técnicas Avançadas em Ecocardiografia’, lançado pela editora Elsevier, e que estará no DIC 2015, no próximo dia 23, fala da relevância das doenças cardiovasculares.

“É umas das principais causas de mortalidade mundial e também no Brasil, tanto em homens como em mulheres. Dentre os fatores de risco mais importantes para as doenças cardíacas, destacam-se a hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias (alterações na dosagem do colesterol total e frações), obesidade e tabagismo, além de antecedentes familiares de risco (…).”

Evolução da Ecocardiografia

“O desenvolvimento exponencial de novas modalidades terapêuticas para as doenças cardiovasculares, como a terapia de ressincronização cardíaca (TRC) e dispositivos de assistência circulatória, além do aumento significativo das intervenções percutâneas para tratamento das lesões valvares, oclusão do apêndice atrial esquerdo, miocardiopatia hipertrófica e defeitos septais, fez que a ecocardiografia se tornasse um método absolutamente necessário para adequada seleção, planejamento terapêutico e sucesso das intervenções”, aborda Hotta na introdução do livro.

Ainda sobre a relação altura x doença cardiovascular, essa não é uma abordagem tão nova, já que há 50 anos esse fator de risco já havia sido considerado, mas sem entendimento dos especialistas sobre como isso seria possível.

É importante ressaltar que os pesquisadores esperam que um novo estudo, agora com o foco nos genes responsáveis pela altura e saúde do coração possa trazer, num futuro próximo, um melhor esclarecimento no diagnóstico para tratamento e prevenção.

 

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Boas razões para deixar a raiva de lado

Gandhi disse certa vez: “O perdão é um atributo dos fortes.” É preciso muita coragem para seguir em frente a partir de uma experiência dolorosa causada por outra pessoa. Mas se você conseguir evitar a raiva estará melhorando, e muito, como pessoa. Abaixo algumas razões pelas quais é melhor perdoar do que alimentar o rancor.

A raiva pode prejudicar seu coração

Engarrafar emoções ruins pode ser um pedágio caro a se pagar sobre a sua saúde física. Um estudo publicado pela American Heart Association sugere que níveis elevados de raiva pode aumentar o risco de doença cardíaca coronária, particularmente em homens mais velhos. Reprimir esses sentimentos também pode aumentar a pressão arterial.

Jamais explodir de raiva na frente das crianças

Crianças pequenas moldam o seu comportamento de acordo com o ambiente, especialmente se este cenário está envolto de hostilidade e raiva. De acordo com um estudo publicado na revista Cognitive Development, os bebês podem não só sentir raiva, como ajustar seu comportamento em torno dela. Além do mais, mesmo crianças muito pequenas têm uma memória excelente: os pesquisadores descobriram que as crianças são capazes de classificar o que era raiva baseadas em situações anteriores.

Mesmo um pequeno episódio de raiva pode ter implicações para a saúde

Um estudo da Harvard School of Public Health descobriu que os indivíduos tem cinco vezes mais risco de um ataque cardíaco e três vezes mais risco de um acidente vascular cerebral nas duas horas após uma explosão de raiva.

A raiva prejudica sua saúde mental

Situações adversas têm uma maneira de se alocar em nossas mentes, levando-nos a uma espiral de pensamentos que podem afetar a nossa saúde mental. A raiva agrava a ansiedade e o stress, sustentando emoções hostis que podem tomar a direção de algo mais perigoso.

A raiva pode ser associada com o desenvolvimento de diabetes tipo 2

De acordo com dados publicados pelo National Institutes of Health, a raiva pode potencialmente levar a diabetes por meio de comportamentos de risco à saúde. Não há nenhuma ligação direta entre temperamento e risco de diabetes, mas ainda sim existem alguns resultados notáveis. No estudo, os indivíduos com os mais altos níveis de raiva tinham 34% mais risco de desenvolver a doença em comparação com aqueles com temperamentos mais tranquilos. Os pesquisadores descobriram que aqueles com raiva crônica eram mais propensos a fumar e tinha uma maior ingestão de calorias, dois fatores que podem levar ao desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Deixar o rancor de lado o fará mais leve

A raiva pesa. Em um experimento publicado na revista Social Psychological and Personality Science, pesquisadores instruíram 160 alunos de graduação a lembrar de uma época na qual eles viveram algum tipo de conflito. Após isso foram convidados a participar de um exercício físico de salto em distância. Aqueles que pensaram na situação praticando o perdão saltaram mais alto, o que sugere que a carga de rancor pode ser mais do que apenas mental.

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