Os cuidados com a cirurgia ortopédica em crianças

 

A cirurgia ortopédica em crianças é um esforço muito gratificante e com grande potencial benéfico para elas. É também um campo difícil e desafiador e, se mal escolhida ou realizada, pode gerar danos duradouros. As crianças apresentam problemas complexos que frequentemente são únicos e não são encontrados em livros didáticos. O indivíduo está crescendo e a cirurgia deve melhorar e preservar o crescimento sempre que possível.

O médico cirurgião precisa sempre considerar cuidadosamente vários fatores antes de iniciar uma cirurgia, incluindo a sua própria experiência e competência técnica para realizar a operação necessária. O cirurgião deve estar aberto não só para segundas opiniões e consultar colegas e autoridades quando o melhor caminho para o paciente não está claro.

A imagem abaixo foi retirada do livro Tachdjian Procedimentos Ortopédicos Pediátricos, que ensina a técnica operatória para encurtamento femoral.

A, O encurtamento femoral é necessário para reduzir a pressão sobre a cabeça do fêmur reduzida, que é conhecida por causar necrose avascular do quadril. A quantidade de encurtamento pode ser estimada a partir de uma radiografia supina pré-operatória medindo-se a distância da parte inferior da cabeça do fêmur até o assoalho do acetábulo (a para b). A distância de b até c deve ser igual à distância de apara b. Com deslocamentos mais elevados, no entanto, isso pode superestimar o encurtamento necessário. A dissecção para a redução aberta, incluindo a limpeza do acetábulo, é realizada antes da transecção do fêmur. A tentativa de redução dá ao cirurgião uma percepção da rigidez dos músculos e de outras estruturas reduzidas, permitindo, assim, uma outra estimativa da quantidade de encurtamento necessário.Uma marca longitudinal é feita com a serra ao longo do aspecto anterior da diáfise femoral. Isto serve como uma marca de orientação para a rotação femoral. Pinos de Steinmann também podem ser colocados transversalmente através do fêmur acima e abaixo da osteotomia proposta.

B, O fêmur é seccionado logo abaixo do trocânter menor. O quadril é reduzido, e o eixo do fêmur distal é alinhado com o eixo proximal. A quantidade de sobreposição é observada, o que dá ao cirurgião a estimativa final da redução necessária; geralmente, esta é de 1 e 2 cm. Esta sobreposição é marcada no fragmento distal, e a diáfise femoral é seccionada de novo nesse nível. Uma placa de quatro orifícios é ligada ao fragmento proximal, e o eixo distal é mantido na placa com uma braçadeira de Verbrugge.

C, A redução é concluída e avaliada com relação à rotação femoral e à adequação do encurtamento. Como regra geral, o grau de descompressão do quadril é adequado se o cirurgião puder com uma força moderada afastar a reduzida cabeça femoral 3 ou 4 mm do acetábulo. Com as marcas de rotação alinhadas, a posição da extremidade inferior deve estar em moderada rotação interna. A derrotação é feita somente quando a posição de rotação interna é grave. Os parafusos restantes são colocados para fixar a placa ao fragmento distal. A ferida na coxa lateral é fechada da maneira habitual.

Dentes de leite são importantes sim

Mesmo sendo provisórios, os dentes de leite são extremamente importantes para o sorriso, uma vez que são fundamentais para o desenvolvimento funcional e psicoemocional da criança. São eles que dão suporte na construção da fala, mastigação e também colaboram para que os dentes permanentes nasçam no lugar certo. É através deles que o indivíduo aprende como higienizar a boca corretamente e traça os primeiros passos para construir um sorriso bonito.

É importante também, que crianças dos 4 aos 8 anos de idade sejam supervisionadas por adultos no processo de escovação, e que ela seja sempre feita logo após as refeições.

A negligência com os dentes de leite pode causar, a curto prazo, danos mais sérios como a cárie, dor e até perda do dente antes da hora que, a longo prazo, poderá resultar em má oclusões, perda de função, estética, alteração na fala e impacto na qualidade de vida da criança.

Mesmo assim, há ainda quem pense que por serem provisórios, eles não precisam ser tão bem higienizados quanto os permanentes. Segundo a Associação Brasileira de Odontopediatria os profissionais da área têm o dever de orientar e motivar os responsáveis pelas crianças a cuidarem bem da saúde bucal dos pequenos.

COMO OS PROFISSIONAIS DEVEM PROCEDER NO PRIMEIRO CONTATO ODONTOPEDIÁTRICO

¹Considerando que o primeiro contato do bebê com o odontopediatra é de extrema importância, é desejável que as primeiras experiências sejam agradáveis, iniciadas com a familiarização das instalações e com a equipe de atendimento.

Essa abordagem inicial deverá ser conduzida com base na idade e no temperamento do bebê, começando com uma aproximação de natureza lúdica (jogos, brinquedos, objetos que despertem interesse), seguida pelo falar/mostrar/fazer. Posteriormente procede-se ao exame bucal.

Caso o bebê já seja portador de alguma doença, como cárie ou trauma, ao odontopediatra e equipe cabe fazer desse primeiro atendimento, o menos desconfortável possível.

A primeira consulta deve ser realizada preferencialmente apenas com os pais, para que o profissional possa apresentar o seu consultório e/ou clínica e a sua proposta de trabalho. A ausência dos pequenos pacientes permitirá que os pais possam conversar com mais tranquilidade como o odontopediatra. Se isso não for possível, é conveniente que, no momento dessa primeira visita, um membro da equipe auxiliar fique com o bebê para distraí-lo.

¹Trecho retirado do livro ASB e TSB – Formação e Prática da Equipe Auxiliar, Elsevier

Imagem: Google

Violência infantil: As pequenas vítimas

O número de crianças que sofrem violência vem aumentando. Em todo o Brasil, foram registrados mais de 150 mil casos de crianças e adolescentes vítimas de violação de direitos no ano de 2014. A maioria dos casos foram denunciados em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais, respectivamente.

Com a intenção de conscientizar e lembrar da importância do cuidado com as crianças foi criado na Assembleia Geral Extraordinária das Nações Unidas a 19 de agosto de 1982 e celebra-se no dia  04 de junho  o Dia Internacional das Crianças Vítimas de Agressão. Por causa deste dia, as Nações Unidas também criaram um documento – Convenção dos Direitos das Crianças – com o propósito de promover os direitos das crianças em todo o mundo.

¹A expressão ampla maus-tratos infantis inclui abuso físico intencional ou negligência, abuso emocional ou negligência abuso sexual de crianças, geralmente por adultos. É um dos problemas sociais mais significantes que afetam as crianças. Em 2007, as agências do serviço de proteção à criança nos EUA confirmaram que uma estimativa de 794 mil crianças foram vítimas de maus-tratos. Dos casos confirmados, cerca de 11% sofreram abuso físico, 8%, abuso sexual, 60%, negligência e 4%, maus-tratos psicológicos ou abuso emocional. Em 2007, estimavam-se 1.760 óbitos infantis resultados de abuso e negligência (U.S Department of Health and Human Services, 2009). As estatísticas relatadas só representam parcialmente a real incidência de maus-tratos infantis, uma vez que se acredita que muitos casos fiquem sem notificação.

NEGLIGÊNCIA INFANTIL¹

A negligência é a forma mais comum de maus-tratos. Mais da metade de todos os casos descritos está associada à privação das necessidades, e 34% dos óbitos por maus-tratos estão nesse grupo (U.S Department of Health and Human Services, 2009). Negligência é geralmente definida como fracasso de um dos genitores ou de outra pessoa legalmente responsável pelo bem-estar da criança em proporcionar as necessidades básicas da criança e um nível adequado de cuidado.

Os fatores contribuintes adequados para a negligência infantil são a falta de conhecimento das necessidades da criança, a falta de recursos e o abuso de substâncias entre os responsáveis pelos cuidados.

ABUSO FÍSICO¹

Uma lesão física deliberadamente infligida a uma criança, geralmente pelo responsável por seus cuidados, é denominada abuso físico. As definições legais de abuso físico são encontradas nas leis federais e estaduais. O Child Abuse Prevention and Treatment Act, de 1996, define o abuso como ”qualquer ação ou omissão recente que resulte em risco iminente de leão grave, óbito ou prejuízo físico ou emocional grave a uma criança (< 18 anos) realizada por um dos pais ou cuidador responsável pelo bem-estar da criança”.

ABUSO SEXUAL¹

O abuso sexual é um dos tipos mais devastadores de maus-tratos infantis, e as estimativas indicam que tenha aumentado significativamente durante a última década (U.S Derpartment of Health and Human Services, 2009). Parte da aparente elevação se deve a um aumento  da conscientização. O Child Abuse and Prevention Act define abuso sexual como ”o uso, a persuasão ou a coerção de qualquer criança a tomar parte em uma conduta sexualmente explícita (ou qualquer simulação de tal conduta), ou a produção de qualquer representação visual dessa conduta, ou estupro, molestamento, prostituição, ou incesto com crianças”.

FATORES PREDISPONENTES PARA O ABUSO FÍSICO¹

As causas do abuso infantil são multifacetadas. Os maus-tratos infantis ocorrem em todos os grupos socioeconômicos, religiosos, culturais, raciais e étnicos. Três fatores de risco são comumente identificados no abuso infantil: características dos pais, características da criança e características ambientais. Contudo, nenhum fator ou grupo de fatores único é preditivo do abuso. Antes, acredita-se que a interação desses fatores aumente o risco da ocorrência do abuso em uma família em particular.

DENUNCIE

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) disponibiliza um canal para que a população denuncie casos de violência cotra os direitos humanos – o Disque 100. O serviço funciona 24h por dia, inclusive nos finais de semana e feriado. As denúncias são anônimas e podem ser feitas de qualquer parte do Brasil.

¹Trecho retirado do livro Wong´s Fundamentos Enfermagem Pediátrica – 9ª EDIÇÃO