29/09 – Dia Mundial do Coração

 

Quais são as principais doenças cardíacas que afetam os brasileiros?

Hoje, 29 de setembro, é o Dia Mundial do Coração. Não é atoa que está data foi criada, já que as doenças cardíacas têm causado 31% das mortes e são consideradas um dos maiores problemas de saúde do Brasil. Este ano, a revista Isto É publicou uma matéria com base em dados do IBGE que indicam que no estado de Minas Gerais, 6,3% dos adultos têm diagnóstico de alguma doença do coração. O número é o mais alto do país, cuja média é de 4,2%.  Viviane Hotta*, autora do livro TECNICAS AVANÇADAS EM ECOCARDIOGRAFIA, publicado pela editora Elsevier, comenta o assunto e explica quais são as principais doenças cardíacas que vitimam os brasileiros.

A doença cardiovascular é umas das principais causas de mortalidade mundial e também no Brasil tanto em homens como em mulheres. A ocorrência destas doenças, que incluem infarto do miocárdico, acidente vascular encefálico (conhecido popularmente como “derrame”), insuficiência cardíaca e insuficiência vascular periférica está associada à presença de fatores de risco.

Dentre os fatores de risco mais importantes para as doenças cardíacas, destacam-se a hipertensão arterial (“pressão alta”), diabetes mellitus (elevação da glicemia dosada em exames de sangue), dislipidemias (alterações na dosagem do colesterol total e frações), obesidade, tabagismo além de antecedentes familiares de risco. Quanto mais fatores de risco, maior o risco de desenvolvimento de alguma doença cardiovascular.

Nas diferentes regiões do Brasil, observa-se uma distribuição heterogênea dos fatores de risco o que explica a maior ocorrência de doenças cardíacas em determinadas áreas. Além disso, a Doença de Chagas também é considerada como doença cardíaca, o que resulta no aumento das taxas desta doença em regiões endêmicas (como o estado de Minas Gerais, regiões rurais e Nordeste do País). Outros fatores relacionados às diferenças observadas relacionam-se aos hábitos alimentares regionais, incidência de obesidade, tabagismo e prática de atividades físicas. Por exemplo, observa-se maior taxa de tabagismo no sul do país, maior taxa de obesidade no Sudeste e Sul, enquanto a hipertensão arterial é maior no Norte e Nordeste do país.

Além disso, o nível de escolaridade associado ao desenvolvimento do sistema de saúde de cada região reflete o acesso da população ao atendimento médico, e também a aderência ao tratamento médico, o que também terá impacto nas diferentes distribuições regionais das doenças cardíacas.

A despeito das diferenças regionais na distribuição das diferentes regiões do país, a prevenção e tratamento dos fatores de risco relacionados às doenças cardíacas são fundamentais. Medidas simples que incluem modificações no estilo de vida como uma dieta saudável e balanceada, cessação do tabagismo e etilismo, prática de atividades físicas regulares e redução do peso (em pacientes acima do peso) desde que supervisionadas e com orientações médicas são essenciais e consistem na melhor forma de prevenção e redução das taxas de doenças cardíacas nacionalmente.

Finalmente, deve-se levar em consideração que os dados obtidos pelo IBGE foram baseados em informações referidas pelos participantes das pesquisas e não em exames médicos, aferição da pressão arterial, dosagem das medidas de colesterol e glicemia, o que pode não refletir de maneira real a verdadeira incidência das doenças avaliadas.

*Hotta é também Doutora em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), médica assistente da Unidade Clínica de Miocardiopatias do InCor – HCFMUSP e Médica assessora em Ecocardiografia no Fleury Medicina e Saúde.

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