Endometriose é mais comum do que se imagina

Segundo dados divulgados pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo, entre 10% a 15% das mulheres em fase reprodutiva (13 a 45 anos) podem desenvolver a endometriose, e 30% têm chances de ficarem estéreis. Isso equivale a 7 milhões de brasileiras com o problema, que causa fortes dores e favorece a infertilidade, e o pior, muitas delas nem mesmo sabem sobre a doença. É importante destacar que enfermidade acomete a partir da primeira menstruação e pode se estender até a última.

A endometriose é provocada por células do endométrio, que deveriam ficar só no útero e serem expelidas no período menstrual, mas que ao invés disso migram para o sentido oposto, indo parar nos ovários, intestinos, bexiga, trompas, etc. onde voltam a se multiplicar e sangrar. As causas que levam à doença ainda não foram estabelecidas e o diagnóstico não é fácil. A endometriose  é uma doença crônica que não têm cura, mas regride espontaneamente com a menopausa. Já as mulheres mais jovens podem fazer uso de medicamentos.

EVOLUÇÃO DOS ESTUDOS SOBRE A ENDOMETRIOSE

¹Os maiores avanços no diagnósticos e tratamento da endometriose ocorreram após 1950. O desenvolvimento das pílulas contraceptivas e do danazol se tornaram promissoras. A evolução das técnicas de cirurgia com o aprimoramento da microcirurgia e posteriormente da laparoscopia sem dúvida começaram a revolucionar o manejo tanto no diagnóstico quanto no tratamento da endometriose. A preocupação cada vez mais presente de preservar a fertilidade das pacientes com a doença foi outro marco importante no período.

A partir da década de 1970, com a introdução das câmeras de vídeo à laparoscopia, até os dias atuais, assistimos a uma verdadeira revolução na abordagem cirúrgica de grande parte das doenças, incluindo a endometriose. A cirurgia de grande porte, agressiva, deu lugar ao que conhecemos como cirurgia minimamente invasiva, com melhora importante nos resultados dos tratamentos e em especial na conservação da fertilidade. O aprimoramento e desenvolvimento de equipamentos e materiais específicos para as cirurgias videolaparoscópicas permitiram que, mesmo pacientes com endometriose extensa, severa e profunda, fossem tratadas com técnicas pouco invasivas.

Com o início do século XXI, veio a evolução no diagnóstico não cirúrgico das lesões de endometriose profunda e infiltrativa. Alguns grupos na Europa e na América desenvolveram importantes trabalhos no diagnóstico por imagem com ressonância magnética, ultrassom transvaginal (USTV) e ultrassonografia endorretal.

²ENDOMETRIOSE E FATORES DE RISCO

IDADE

A endometriose pélvica é pouco descrita antes da menarca e tende a diminuir após a menopausa. A maioria dos estudos avaliaram mulheres com idade inferior a 50 anos e a frequência de endometriose aumentou com a idade até a menopausa. Porém, recentes estudos não têm confirmado essa tendência, visto que casa vez mais têm sido descritos casos de endometriose em adolescentes, mesmo em sua forma profunda. Existem vieses nestes estudos, visto que há 20 anos o diagnóstico dependia essencialmente da laparotomia e hoje é cada vez maior a abordagem laparoscópica em mulheres jovens. Portanto, não há relação definitiva comprovada entre idade do diagnóstico e severidade da doença.

HISTÓRICO FAMILIAR

Sugere-se que o risco de desenvolvimento de endometriose é maior em mulheres com parentes de 1º grau acometidas pela doença (mãe e irmãs) e que a doença seria mais severa em mulheres com histórico familiar positivo. Simpson em 1980 relatou um risco seis vezes maior de endometriose em irmãs de mulheres acometidas pela doença. Entretanto, não podemos afasta a possibilidade de vieses nesses estudos, pois casos de endometriose na família tendem a chamar mais atenção em busca do diagnóstico do que nos controles.

DIETA E ENDOMETRIOSE

Parazzini em 2013 publicou uma revisão sistemática da literatura sobre a influência dos fatores dietéticos na endometriose, tópico que se tem mostrado interesse na comunidade científica, devido à observação de que os processos fisiológicos e de patogênese da endometriose poderiam ser influenciados pela dieta. Concluiu que, até o presente momento, qualquer associação entre endometriose e dieta é considerada limitada por falta de evidências.


¹² Trecho retirado do livro Endometriose: Coleção Febrasgo, Elsevier

Imagem: Google

Share on FacebookShare on LinkedInShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Coleção Febrasgo: cadastre-se e acesse e-sample da obra

A Coleção Febrasgo destina-se aos profissionais e residentes de Ginecologia e Obstetrícia que necessitam de fonte para formação, consulta e atualização nas subáreas de atuação. Os livros são bibliografia indispensável para provas de título e outros certificados de atuações.

Após o lançamento de Medicina Fetal em 2013, em 2014 é lançado Endometriose, segundo volume da coleção. Para o livro Endometriose, a Febrasgo contou com a edição de Dr. Sérgio Podgaec, presidente da Comissão Especializada em Endometriose da Febrasgo e professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

 

Share on FacebookShare on LinkedInShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Uma Visão Moderna na Assistência Pré-Natal

No século XIX, o cuidado pré-natal se restringia à hora do parto e era reservado para os ricos. No começo do século XX, a alta mortalidade materna e infantil estimulou um movimento em prol da criação de instituições que atendessem gestantes. Em 1929, o Ministério da Saúde no Reino Unido oficializou a prática dos cuidados pré-natais na Inglaterra por meio de um memorando (Memorandum on Antenatal Clinics) que estipulava as primeiras linhas para a realização do pré-natal.

Leia mais…

Share on FacebookShare on LinkedInShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone