Gonorreia: uma doença que atravessa a História e ainda causa problemas para a população

A gonorreia foi mencionada na antiga literatura da China, Egito, Império Romano e Grécia, assim como no Velho Testamento. Ao longo dos séculos, vários nomes foram empregados para se denominar a infecção por N.gonorrhoeae, incluindo ”estrangúria”, como usado por Hipócrates; ”clap”, derivado do distrito de prostituição conhecido como ”Las Clapier”, em Paris; ”gonorreia”, escolhido por Galeno [130 d.C] para descrever exsudato uretral como um ”fluxo de sêmen”; e ”M.Neisser”, em reconhecimento a Albert Neisser, que descobriu o microrganismo em 1879, em esfregaços corados de exsudatos vaginais, uretrais e conjuntivais.

A cultura do N.gonorrhoeae foi inicialmente descrita por Leistikow e Luffler em 1882, tendo sido melhorada em 1964 por Thayer e Martin, que projetaram condições de crescimento seletivas em placas de ágar especiais. A compreensão das diferenças na virulência dos gonococos e estudos de sua biologia molecular levou ao melhor discernimento da patologia do microrganismo. O tratamento das infecções gonocócicas era problemático até a introdução das sulfonamidas em 1936 e da penicilina em 1943. Nos últimos 25 anos, observou-se aumento na resistência a antibióticos, como as penicilinas e outros, como as tetraciclinas e quinolinas, tornando a situação problemática. (Fonte: Dermatologia, 3ED – Elsevier)

A gonorreia, que é transmitida através do contato sexual, manteve-se controlada por meio da descoberta da penicilina durante muitos anos, mas com a resistência que a doença vem desenvolvendo ao remédio, há uma real possibilidade de que a doença se torne incurável. Outro erro também é que o tratamento da gonorreia está sendo realizado de maneira equivocada. Um paciente diagnosticado deve tomar um combinado de antibióticos. Só que a Associação de Saúde Sexual e HIV do Reino Unido descobriu que farmácias estão vendendo medicações isoladas, o que aumenta o risco de resistência.

O surto de gonorreia que vem ocorrendo no Reino Unido tem deixado as autoridades preocupadas. Só na Inglaterra, em 2014, mais de 440 mil se contaminaram nas relações – a gonorreia corresponde a 35% dos casos e apresentou aumento de 20% em apenas um ano

Já há registros de superbactéria no norte da Inglaterra.

Nomeada de supergonorreia, a doença já vem causando pânico entre as cidades com muitos números de infectados. Por enquanto, o quadro é reversível, mas crítico: a doença pode ser fatal e combatê-la já está mais difícil que nos velhos tempos. Especialistas apontam a prática de sexo casual sem preservativo  como um dos principais motivos para o descontrole. Dois antibióticos devem ser administrados nos pacientes, azitromicina e ceftriaxona. Mas, agora, como  a resistência à azitromicina está se espalhando, médicos receiam ser uma questão de tempo até que o mesmo ocorra com a ceftriaxona.

Acredita-se que, entre os infectados, cerca de um a cada dez homens heterossexuais e mais de três quartos das mulheres e de homens gays não apresentam sintomas, que podem incluir uma secreção esverdeada ou amarela nos órgãos sexuais, dores ao urinar e sangramento.

 

 

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