Estude com conteúdo elaborado por cirurgiões especialistas do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia

 

A data 19 de Setembro foi escolhida como Dia do Ortopedista por marcar a inauguração da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) em 1935.

Ortopedia e Bloqueio de Nervos Periféricos” aborda os principais aspectos anestésicos que envolvem os procedimentos ortopédicos e do trauma musculoesquelético.

O livro ainda traz as técnicas dos bloqueios de nervos periféricos dos membros superiores e inferiores, incluindo as questões correlatas que os envolvem, como bloqueios contínuos, lesões neurológicas e manejo dos anestésicos locais.

Para compor o livro, cirurgiões especialistas em diversas áreas de atuação cirúrgica do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia foram convidados a expor de forma sucinta, considerações cirúrgicas úteis para o anestesiologista.

Para mais informações sobre o livro Ortopedia e Bloqueio de Nervos Periféricos clique aqui.

Share on FacebookShare on LinkedInShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Infecção periprotética é a causa mais comum de revisão da artroplastia total do joelho

A etiologia de um novo ou persistente quadro de dor ou um mau funcionamento após a artroplastia total do joelho (ATJ) frequentemente representa um dilema ao diagnóstico. A determinação da causa da dor do paciente tem início com a história clínica, exame físico e estudo radiográfico, mas geralmente são necessários mais exames diagnósticos. Embora haja muitas causas para dor ou falhas, deve-se levar bastante em consideração o quadro de infecção periprotética do joelho (IPJ). O tratamento de uma infecção profunda de prótese de joelho é fundamentalmente diferente do tratamento de outras causas de falha, assim o diagnóstico precoce e preciso de PJI é essencialmente crítico. A IPJ é a causa mais comum de revisão da ATJ nos Estados Unidos. O diagnóstico de IPJ costuma ser desafiador, porque os pacientes reclamam com frequência de uma vaga presença de dor ou disfunção do joelho sem os clássicos sinais ou sintomas de infecção, assim como febre, calafrios, suores, exudatos da ferida ou eritema em torno da incisão.

Leia mais sobre cirurgia de joelho em: Técnicas de Revisão de Artroplastia do Joelho

Por muitas vezes o uso de testes sorológicos e procedimentos como a aspiração articular são necessários, a fim de confirmar ou descartar IPJ pós-ATJ. Em geral, metodologicamente, a análise do soro inclui a medição da taxa de sedimentação de eritrócitos (VHS) e o nível de proteína C-reativa (PCR) e, se os resultados forem anormais, está indicada a aspiração da articulação do joelho. O fluido obtido a partir da aspiração é, em seguida, avaliado por vários testes, incluindo a contagem diferencial de glóbulos brancos (WBC), a fim de determinar a porcentagem de células polimorfonucleares (%PMNs) na amostra.

A IPJ é uma das complicações pós-operatórias mais devastadoras relacionadas a esse procedimento com altos níveis de sucesso. Um diagnóstico preciso, em tempo hábil, é fundamental para iniciar o algoritmo de tratamento correto e ideal para esses pacientes. Embora não exista um teste perfeito para diagnosticar IPJ, os testes sorológicos (VHS e PCR) devem ser utilizados para pesquisar pacientes que possam apresentar essa potencial complicação. Em concordância com as recentes orientações práticas liberadas pela Academia

Americana de Cirurgiões Ortopédicos, se um ou ambos os testes são suspeitos de infecção, é recomendado testar a amostra do fluido sinovial. Esta deve ser realizada com a utilização de técnica estéril para evitar infecção. O líquido sinovial deve ser enviado para culturas microbiológicas, contagem de glóbulos brancos com diferencial e análise de cristal. Temos utilizado esses testes não só para o diagnóstico de infecção crônica, mas também para o diagnóstico precoce no período pós-operatório imediato, embora em diferentes limites de cortes e valores padrões. Esses testes também parecem ser úteis para o diagnóstico de IPJ em pacientes com história de artropatia inflamatória e após prótese unicompartimental (UKA).

Conteúdo extraído do livro: Técnicas de Revisão de Artroplastia do Joelho, Elsevier

Share on FacebookShare on LinkedInShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Síndrome da Implantação do Cimento Ósseo

Apesar de não haver uma definição clássica para esta síndrome, a mesma se caracteriza pela ocorrência de hipoxemia, hipotensão arterial e perda da consciência que podem ser concomitantes ou não. No paciente acordado, os sinais precoces são dispneia e alteração sensorial. O quadro pode evoluir com arritmias cardíacas, choque e parada cardíaca. Manifesta-se durante a fresagem do canal medular, em torno do período de cimentação e inserção da prótese, na redução da articulação e eventualmente após a soltura do manguito de isquemia nas cirurgias ósseas com uso de cimento. Esses momentos coincidem com a detecção, por ecocardiografia transesofágica, de grande liberação de êmbolos. As alterações cardiorrespiratórias durante esses episódios foram, na maioria das vezes, mínimas. Hagio K e cols., em estudo com 88 pacientes submetidos à ATQ, observou por meio de ecocardiografia transesofágica a liberação de êmbolos também durante o preparo acetabular e a colocação desse componente. Durante a inserção do componente femoral, episódios embólicos severos ocorreram em 61,5% nas próteses cimentadas e 5,9% nas não cimentadas. As cirurgias mais suscetíveis a essa ocorrência são as artroplastias totais e parciais do quadril e as do joelho. A mortalidade intraoperatória é em torno de 0,1% nas ATQs cimentadas e 0,43% nas hemiartroplastias, atingindo a 4,3% nas fraturas patológicas.

Vários mecanismos têm sido propostos para sua etiologia como: absorção de êmbolos de gordura, ar, medula óssea, partículas ósseas e de cimento e agregados de plaquetas e fibrina. Estes ganham a circulação sistêmica pela grande pressão intramedular exercida pela cimentação e inserção da prótese. A hipersensibilidade ao componente metilmetacrilato do cimento ósseo também pode estar envolvida. As consequências fisiológicas parecem ser devido aos efeitos mecânicos e à liberação de mediadores químicos que provocam aumento da resistência vascular pulmonar e insuficiência ventricular direita.

FATORES DE RISCO

Individuais – Incluem pacientes com: idade avançada, baixa reserva física, doença cardíaca significativa, hipertensão pulmonar, osteoporose, metástase óssea e concomitante fratura do fêmur, particularmente as patológicas ou transtrocantéricas. Particularidades vasculares dessas fraturas facilitam a absorção sistêmica de conteúdo da medula óssea.

Cirúrgicos – Pacientes submetidos a procedimentos primários em que não houve manipulação prévia do canal femoral são mais suscetíveis à ocorrência da síndrome do que aqueles submetidos à artroplastias de revisão. A colocação de componentes femorais cimentados com hastes longas também aumenta sua incidência.

Algumas medidas têm contribuído para diminuição de complicações e mortalidade nos últimos anos como: lavagem do canal medular prévia à colocação do cimento ósseo, uso de próteses com hastes mais curtas e não cimentadas, sondagem do canal medular para drenagem do ar distal ao cimento, visando diminuição da pressão no canal medular, e aplicação deste por meio de dispositivo que o faz de maneira retrógrada e com distribuição uniforme no canal medular.

ASPECTOS ANESTÉSICOS

Pacientes submetidos à artroplastias de joelho e quadril, frequentemente, encontram-se numa faixa etária mais elevada e apresentam incidência significativa de comorbidades. Portanto, sua pouca capacidade de tolerância à grande agressão orgânica provocada pela ocorrência desta síndrome faz com que o anestesiologista deva agir buscando sua prevenção e atuando prontamente em seu tratamento. Particular atenção deve merecer aqueles a serem submetidos a procedimentos com uso de cimento ósseo e que apresentem doença cardíaca, respiratória, metastática, fratura proximal do fêmur e os tratados com componentes femorais de haste longa.

Os casos de alto risco anestésico devem ser discutidos com o cirurgião quanto ao seu risco/benefício e possível adequação da técnica cirúrgica, como a opção pelo uso de componentes que possibilitem menor morbidade, ou uso de próteses não cimentadas.

A monitorização hemodinâmica invasiva deve ser acrescentada a básica, em níveis proporcionais ao grau de risco, podendo incluir desde pressão venosa central e arterial média até cateter de artéria pulmonar, ecocardiografia transesofágica e débito cardíaco. Os momentos perioperatórios críticos para precipitação da síndrome requerem especial atenção do anestesiologista ( Quadro 3-2 ).

anestesia elsevierc

TRATAMENTO

Deve-se considerar que uma série de fatores e mecanismos pode estar envolvida na etiologia da síndrome, sendo sua manifestação parcialmente dependente das respostas fisiológicas individuais e de doenças preexistentes. Evidências sugerem que o colapso cardiovascular deve ser tratado como falência ventricular direita sendo recomendada infusão venosa de grandes volumes de fluidos e o uso de agonista adrenérgico. As opiniões dos autores divergem quanto ao uso de agonistas adrenérgicos a e β.

 

Texto retirado integralmente do livro: Anestesia Em Ortopedia E Bloqueio De Nervos Periféricos, Elsevier

Share on FacebookShare on LinkedInShare on Google+Tweet about this on TwitterEmail this to someone