Chegando ao mundo em boas mãos

Hoje comemora-se o dia dos profissionais que têm a vida, literalmente em suas mãos. Parabéns obstetras por essa data!

‘’O trabalho de parto, que também é chamado de parturição, é o processo pelo qual as contrações uterinas suficientemente frequentes e fortes provocam o afinamento (ou seja, apagamento/obliteração) e dilatação da cérvix, tornando possível, assim, a passagem do feto a partir do útero através do canal do nascimento.’’ (Chestnut Anestesia Obstétrica: Princípios e Prática, Elsevier)

É nesse momento delicado e cheio de inseguranças para os pais, que o médico obstetra se faz mais importante. Esses profissionais não são responsáveis somente por trazer crianças ao mundo, cabe a eles também a função de aconselhadores – tanto no processo pré-natal quanto no pós-parto. Por isso, é fundamental para o aconselhamento que a comunicação e os termos utilizados sejam prontamente entendidos pela maioria dos pacientes.

‘’Realizar uma análise profunda no histórico dos pacientes é indispensável para prevenir problemas futuros e antecipar soluções caso eles sejam inevitáveis. ‘’Obstetras/ginecologistas devem fazer um histórico pessoal e familiar para determinar se a mulher, seu parceiro ou um parente tem doença hereditária, defeito de nascença, retardo mental ou distúrbio psiquiátrico que aumente seu risco de ter uma prole afetada. Para resolver essa questão, alguns obstetras acham útil a utilização de um questionário ou uma lista de verificações para obter informações genéticas.’’ (Obstetrícia: Gravidez Normal e Patológica)

‘’Embora existam situações nas quais esteja indicado o encaminhamento para um geneticista clínico ou um conselheiro genético, para o obstetra é impraticável encaminhar todos os pacientes com questionamentos genéticos. Os obstetras devem ser capazes de aconselhar os pacientes antes de realizarem testes de rastreamento para aneuploidias e defeitos tubo neural, rastreamento de portadores e procedimentos diagnósticos como amniocestese. Portanto, são descritos os princípios relevantes do aconselhamento genético.’’ (Obstetrícia: Gravidez Normal e Patológica)

O obstetra tem importante papel na orientação e no suporte de paciente durante o pré-natal em relação ao aleitamento materno no último trimestre. Na consulta de 36 semanas, o obstetra reavalia a escolha e o conhecimento da mãe em relação à amamentação. Conceitos simples da fisiologia da amamentação são reforçados: início da amamentação, frequência das mamadas (> 10 por dia), reforço do meio ambiente, e sem suplementação, a menos que dirigida por pediatra. O obstetra reforça o manejo do aleitamento materno e garante o aumento das mamas reflete a prontidão hormonal para a amamentação. A paciente é orientada das políticas e atitudes do hospital que interferem com o sucesso da amamentação. A consulta de 36 semanas é um bom momento para abordar a adequação de medicamentos e amamentação.’’ (Obstetrícia: Gravidez Normal e Patológica)

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Com a evolução da medicina, terapia fetal invasiva não apresenta mais riscos na gestação

A disponibilidade de imagens de ultrassonografia de alta resolução e de programas de rastreamento fez do feto um paciente de verdade. Quando houver suspeita de malformações fetais, doenças genéticas ou condições adquiridas no útero, as pacientes são encaminhadas a unidades de cuidados terciários com habilidades especializadas, equipamento técnico, experiência e consultores multidisciplinares para definir um prognóstico acurado e opções potenciais. Em alguns casos, a intervenção antes do nascimento pode ser desejável. Muitas intervenções não requerem o acesso direto ao feto; os exemplos incluem a administração transplacentária de agentes farmacológicos para arritmias cardíacas ou de antibióticos no caso de infecção fetal.

Já outras condições podem ser tratadas apenas pelo acesso direto ao feto. A transfusão no útero de um feto hidrópico para corrigir anemia em caso de isoimunização de Rh, inicialmente descrita em 1961, foi provavelmente o primeiro procedimento terapêutico invasivo bem-sucedido. Hoje, a disponibilidade de hemotransfusão através de cordão umbilical, de veia intra-hepática ou diretamente dentro do coração ou do abdome fetal é ampla, com bons resultados fetais e a longo prazo quando os procedimentos são realizados por operadores experientes.

Algumas condições são passíveis de correção cirúrgica e, na maioria dos casos, isto é feito melhor após o nascimento. Ocasionalmente, a cirurgia pré-natal é necessária para salvar a vida do feto ou prevenir dano permanente ao órgão. Isto pode ser alcançado por correção da malformação, interrupção da progressão da doença ou tratamento de alguns dos efeitos de risco de morte imediato da condição, postergando um reparo mais definitivo para depois do nascimento. Em razão das complicações potenciais, os riscos e benefícios da intervenção devem ser ponderados.

Chegou-se a um consenso, endossado pela International Fetal Medicine and Surgery Society (IFMSS), sobre os critérios e indicações para a cirurgia fetal. Nos anos 1980 e 1990, somente algumas condições preencheram esses critérios, e a intervenção cirúrgica exigiu laparotomia materna e exteriorização parcial do feto por meio de histerotomia com grampeamento. Esses procedimentos “abertos” estavam inicialmente associados a alta morbidade fetal e materna, levantando para alguns a questão do valor dos benefícios alegados. No entanto, a cirurgia fetal aberta foi restabelecida em razão dos benefícios comprovados do reparo antenatal de mielomeningocele (MMC).

A disponibilidade crescente da cirurgia videoendoscópica nos anos 1990, combinada com a experiência anterior com a fetoscopia, abriu caminho para o conceito de cirurgia endoscópica fetal. O raciocínio era de que o acesso minimamente invasivo à cavidade amniótica reduziria a frequência do parto prematuro e diminuiria a morbidade materna. A viabilidade da cirurgia endoscópica fetal foi demonstrada em um modelo ovino, e a técnica foi traduzida pela primeira vez na prática clínica na forma de ligação do cordão umbilical.

*Trecho retirado do livro Creasy & Resnik Medicina Materno Fetal – 7ed, Elsevier

Imagem: Google

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Como reduzir as cesarianas no Brasil na visão de Gian Carlo DiRenzo, autor de Manual Prático de Ginecologia e Obstetrícia*

Os 84% de partos cesáreos realizados por ano atualmente no Brasil estão bem acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde e reafirmam uma tendência mundial. Uma das primeiras medidas para reduzir a taxa é impedir as cirurgias desnecessárias para mulheres que terão o primeiro filho, ajudando a evitar que as mesmas voltem ao procedimento cirúrgico em gestações seguintes. A constatação é do especialista italiano Dr. Gian Carlo DiRenzo e foi publicada em entrevista no Jornal O Povo (CE) por ocasião da participação do médico no Congresso Birth Brazil 2015, realizado em Fortaleza.

Outra estratégia para incentivar o parto normal e os benefícios para mãe e bebê é apostar em tecnologia e inovações na sala de parto, uma vez que o conhecimento científico pode prevenir e lidar com as intercorrências sem indicar a cirurgia, de acordo com Dr. Eduardo Fonseca, que também esteve no congresso e é presidente da Comissão Nacional Especializada em Perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Os especialistas Dr. DiRenzo e Dr. Fonseca são autores do livro Manual Prático de Ginecologia e Obstetrícia, cuja edição em português foi lançada pela Editora Elsevier durante o evento, para orientar os profissionais de saúde da mulher a agirem com eficiência quando agilidade e destreza forem indispensáveis. A obra foi concebida para diretores médicos, residentes, especialistas em formação, médicos do Programa de Saúde da Família, enfermeiras obstétricas e aqueles que atendem mulheres de todas as idades, em âmbito ambulatorial e foi totalmente adaptado à realidade brasileira.

Dispositivo é apresentado em congresso

Ainda com o objetivo de estimular os partos normais, também foi apresentado durante o congresso o dispositivo Odon Device, criado pelo argentino Jorge Odon e ainda em fase de teste. O dispositivo funciona como facilitador de partos normais em situações de emergência; é uma bolsa plástica introduzida no canal vaginal e inflada manualmente, aderindo à cabeça do bebê e puxada aos poucos, sem machucar ou prejudicar a respiração do feto. A OMS prevê sua comercialização a partir de 2019.

Clique em Enfermagem Obstétrica 11 Ed. e Saúde da Mulher Enfermagem Obstétrica 10Ed. e conheça um pouco mais sobre esses dois títulos do segmento de obstetrícia publicados pela Elsevier.

*Artigo feito por: Canto do Trabalho

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