Eletrocardiograma: simplicidade eficaz que salva vidas

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Doenças isquêmicas do coração são as que mais causam óbito em pessoas com mais de 70 anos no Brasil atualmente. Junto com derrame e pneumonia, corresponde a 32% dos óbitos registrados em 2013, de acordo com um estudo realizado em 188 países e publicado no jornal The Lancet.

Só no Estado de São Paulo, cerca de 75 pessoas morrem por dia vítimas de doenças isquêmicas do coração. Segundo levantamento inédito feito pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, tais enfermidades são a principal causa de morte em todo o Estado.

Para detectar problemas como esses, que muitas vezes não se manifestam e podem levar à morte, a medicina cardiovascular conta com um grande aliado: o eletrocardiograma ou eletrocardiografia (ECG). Esse é o método mais utilizado no mundo para o diagnóstico de cardiopatias, pois identifica direta ou indiretamente várias doenças cardíacas (e não cardíacas), graças às novas tecnologias que tornam os resultados cada vez mais acurados.

A eficácia do exame, com a correta interpretação das informações que ele fornece, depende, no entanto, da formação e atualização dos médicos e demais profissionais envolvidos no cuidado com o paciente cardiopata. Foi pensando nesse público que Dr. Bernardo Sukienik lançou pela Elsevier o Atlas de Eletrocardiografia.

Confira um trecho do capítulo Síndromes Isquêmicas – livro Atlas de Eletrocardiografia

A isquemia miocárdica resulta do desequilíbrio entre o consumo de oxigênio pelo miocárdio e a oferta deste pela circulação coronária. A causa mais comum da isquemia é a redução do fluxo sanguíneo decorrente da obstrução arterial coronária aterosclerótica.

Os Dois Grandes Grupos Clínicos da Isquemia Miocárdica

A isquemia miocárdica pode ser dividida em dois grupos clínicos:

  • Síndrome Coronária Aguda (SCA): decorrente da ruptura de uma placa aterosclerótica vulnerável (placa “mole”), com formação de um trombo agudo que causa uma interrupção ou redução abrupta do fluxo sanguíneo coronário. As SCA incluem o infarto agudo do miocárdio com supra de ST (IAMCSST), o infarto agudo do miocárdio sem supra de ST (IAMSSST) e a angina instável (AI).
  • Angina estável: relacionada com a presença de uma placa aterosclerótica obstrutiva estável, fixa (placa “dura”). Nessa situação, ocorre uma isquemia transitória por aumento da demanda de oxigênio pelo miocárdio (p. ex., angina de esforço).

Síndromes Coronárias Agudas: Fisiopatologia

A ruptura de uma placa aterosclerótica vulnerável (carregada de lipídios), com formação de um trombo agudo, pode ocluir total ou parcialmente uma artéria coronária.

Uma obstrução total persistente resulta quase sempre em IAMCSST (30 a 35% das SCAs), que geralmente evolui para um IAM com onda Q.

Uma oclusão parcial ou total, mas com boa circulação colateral, costuma resultar em angina instável (enzimas cardíacas normais) ou em IAMSSST (enzimas elevadas), que habitualmente evolui para um IAM sem onda Q. As alterações eletrocardiográficas mais frequentes desse grupo são a depressão do segmento ST e a onda T negativa (55 a 65%); ocasionalmente, neste grupo, o eletrocardiograma pode ser normal ou permanecer inalterado em relação aos traçados prévios (5 a 10%).

A SCA é um processo dinâmico e, ocasionalmente, com ou sem tratamento, um IAMSSST pode evoluir para o IAMCSST e vice-versa.


*Trecho retirado do livro Atlas de Eletrocardiografia (Elsevier, capítulo 2, página 42)

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